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terça-feira, 11 de novembro de 2025

Mark Fisher – Não Prestar Para Nada


Texto originalmente publicado no livro “Realismo Capitalista – É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo?“

Sofro intermitentemente de depressão desde a adolescência. Alguns desses episódios foram altamente debilitantes — resultando em auto-mutilação, isolamento (onde passava meses confinado em meu próprio quarto, aventurando-me sair apenas para procurar emprego ou para comprar as quantidades mínimas de comida que consumia), e visitas frequentes a enfermarias psiquiátricas. Não diria que me recuperei inteiramente dessa condição, mas tenho satisfação de dizer que tanto a incidência quanto a gravidade dos episódios depressivos diminuíram muito nos últimos anos. Em parte, isso é consequência de mudanças na minha situação de vida, mas também tem a ver com uma distinta compreensão a que cheguei sobre minha depressão e suas causas. Exponho aqui minhas próprias experiências de angústia mental não porque ache que há algo especial ou único sobre elas, mas em apoio à tese de que muitas formas de depressão são melhor compreendidas — e combatidas — por meio de quadros analíticos impessoais e políticos, e não individuais e “psicológicos”.

Escrever sobre sua própria depressão é difícil. Faz parte da depressão uma voz “interior” desdenhosa que nos acusa de auto-indulgência — “você não está deprimido”, “você está apenas sentindo pena de si mesmo”, “dê um jeito nisso” —, passível de ser disparada ao tornarmos pública a condição. É claro que não se trata bem de uma voz “interior” , e sim da expressão internalizada de forças sociais reais, algumas das quais têm um interesse escuso em negar qualquer conexão entre depressão e política.

No meu caso, a depressão sempre esteve conectada à convicção de que eu literalmente não prestava para nada. Passei a maior parte de minha vida, até os trinta anos, acreditando que nunca conseguiria ter uma profissão. Aos vinte e poucos, alternava entre a pós-graduação, períodos de desemprego e empregos temporários. Em qualquer um desses casos, o sentimento era de que não me encaixava — na vida acadêmica, porque sentia que não era um pesquisador sério, apenas um diletante que tinha de alguma forma fraudado meu caminho até ali; no desemprego, porque não estava realmente desempregado como aqueles que buscavam trabalho honestamente, mas “vagabundo” se aproveitando do sistema; e em empregos temporários por sentir-me incompetente e que, em todo caso, não pertencia exatamente a trabalhos de escritório ou de fábrica, não porque fosse “bom demais” para eles, mas — muito pelo contrário — em virtude de excessivamente instruído e inútil, tirando o trabalho de alguém que precisava e merecia aquilo mais do que eu. Mesmo na enfermaria psiquiátrica, sentia como se não estivesse realmente deprimido — era como se estivesse apenas simulando a condição para evitar o trabalho, ou, na lógica infernalmente paradoxal da depressão, simulando-o para esconder o fato de que eu era incapaz de trabalhar, e que não havia lugar para mim na sociedade.

Quando finalmente consegui um emprego como professor em uma faculdade de Educação Complementar, fiquei exultante por um tempo — embora esta alegria, por sua própria natureza, mostrasse que ainda eu não havia me livrado do sentimento de inutilidade que logo desencadearia novos episódios depressivos. Como professor, faltava-me a calma confiança de quem nasceu para o papel. Em algum nível não muito profundo, eu evidentemente ainda não acreditava que fosse o tipo de pessoa que poderia fazer um trabalho como aquele.

Mas de onde vinha essa crença? A escola dominante de pensamento em psiquiatria localiza as origens de tais ‘crenças’ no mau funcionamento da química cerebral, que deve ser corrigido por produtos farmacêuticos; a psicanálise e demais formas de terapia por ela influenciadas são famosas por procurar as raízes da angústia mental no contexto familiar, enquanto a Terapia Cognitiva-Comportamental está menos interessada em localizar a fonte de crenças negativas do que simplesmente substituí-las por um conjunto de alternativas positivas. Não é que esses modelos sejam inteiramente falsos, é que eles deixam escapar — e necessariamente têm que deixar escapar — a causa mais provável de tais sentimentos de inferioridade: o poder social. A forma de poder social que mais teve efeito sobre mim foi o poder de classe, embora, naturalmente, o gênero, a raça e outras formas de opressão funcionem produzindo o mesmo sentimento de inferioridade ontológica, melhor expressado justamente no pensamento que articulei acima: que você não é o tipo de pessoa capaz de desempenhar papéis destinados ao grupo dominante.

A pedido de um dos leitores do meu livro “Realismo Capitalista”, comecei a investigar o trabalho de David Smail. Smail — um terapeuta, mas que tomou a questão do poder como central para sua prática — corroborou as hipóteses sobre a depressão nas quais eu havia esbarrado por acaso. Em seu livro crucial, “As Origens da Infelicidade”, Smail descreve como as marcas de classe são projetadas para serem indeléveis. Para aqueles que foram ensinados desde o nascimento a se verem como inferiores, a aquisição de qualificações ou renda raramente será suficiente para apagar — em suas próprias mentes ou na mente dos outros — o sentido primordial de inutilidade que os marca tão cedo na vida. Alguém que sai da esfera social a qual estaria “designado” a ocupar estará sempre sujeito ao perigo de ser dominado por sentimentos de vertigem, pânico e horror: “… isolado, separado, cercado de espaço hostil, você de repente se vê sem conexões, sem estabilidade, sem nada para mantê-lo firme ou no lugar; uma irrealidade vertiginosa e nauseante se apossa de você; você se vê ameaçado por uma completa perda de identidade, um sentimento de completa fraude; você não tem o direito de estar aqui, agora, habitando este corpo, vestido desta maneira; você é um nada, e ‘nada’ é, literalmente, o que você sente que está prestes a se tornar.”

Já há algum tempo, uma das táticas mais bem-sucedidas da classe dominante tem sido a da “responsabilização”. Cada membro individual da classe subordinada é encorajado a sentir que sua pobreza, falta de oportunidades, ou desemprego é culpa sua e somente sua. Os indivíduos culparão a si mesmos antes de culparem as estruturas sociais; estruturas que, em todo caso, eles foram induzidos a acreditar que de fato não existem (são apenas desculpas, invocadas pelos fracos). O que Smail chama de “voluntarismo mágico” — a crença de que está dentro do poder de cada indivíduo se tornar o que quer que seja — é a ideologia dominante e a religião não oficial da sociedade capitalista contemporânea, empurrada goela abaixo tanto pelos “experts” da TV e gurus dos negócios quanto pelos políticos. O voluntarismo mágico é ao mesmo tempo um efeito e uma causa do nível historicamente baixo da consciência de classe. É o outro lado da depressão — cuja convicção subjacente é a de que somos todos exclusivamente responsáveis ​​pela nossa própria miséria e, portanto, a merecemos. Um duplo imperativo particularmente cruel é imposto aos desempregados de longa duração no Reino Unido: uma população que, durante toda a sua vida, foi levada a acreditar que não prestava para nada é simultaneamente bombardeada pela injunção de que pode fazer tudo o que quiser fazer.

Devemos entender a submissão fatalista da população do Reino Unido à austeridade como consequência de uma depressão deliberadamente cultivada. Esta depressão manifesta-se na aceitação de que as coisas vão piorar (para todos, exceto para uma pequena elite), que temos sorte de ter um emprego que for (então não devemos esperar que os salários acompanhem a inflação), que não podemos nos dar o luxo de bancar serviços públicos providos coletivamente. A depressão coletiva é o resultado do projeto da classe dominante de ressubordinação. Há algum tempo, temos cada vez mais nos resignado à ideia de que não somos o tipo de pessoa que pode agir. Esta não é uma falha de vontade individual, da mesma forma que uma pessoa deprimida não pode simplesmente sair da depressão em um “estalar de dedos” ao “arregaçar as mangas”. A reconstrução da consciência de classe é, de fato, uma tarefa formidável, que não será alcançada com soluções prontas e fáceis. Mas, ao contrário do que nossa depressão coletiva nos diz, é uma tarefa que pode ser realizada: inventando novas formas de envolvimento político, revitalizando instituições que se tornaram decadentes, convertendo o descontentamento privatizado em raiva politizada. Tudo isso pode acontecer, e, quando acontecer, quem sabe o que será possível?

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A concepção aristotélica da escravidão (1ST, 1INFO, 1REG1)



Alguns consideram que o poder senhorial não tem nenhum fundamento na natureza e pretendem que esta nos criou a todos livres, e a escravidão só foi introduzida pela lei do mais forte e é, por si mesma, injusta como um puro efeito da violência.

Existem dois tipos de instrumentos: uns inanimados, outros animados. Assim é que, para a navegação, o leme é o instrumento inanimado e o comandante, o instrumento animado. Em todas as artes, o trabalhador é uma espécie de instrumento. Chama-se "instrumento" o que realiza o efeito, e "propriedade doméstica" o que ele produz.

O tear, por exemplo, e o torno, além do exercício que nos proporciona seu uso, fornecem-nos ainda pano e camas; ao passo que o pano e a cama que eles nos produzem se limitam ao nosso simples uso.

O senhor não é senão o proprietário de seu escravo, mas não lhe pertence; o escravo, pelo contrário, não somente é destinado ao uso do senhor, como também dele é parte. Isto basta para dar uma ideia da escravidão e para fazer conhecer esta condição.

O homem que, por natureza, não pertence a si mesmo, mas a um outro, é “escravo por natureza”: é uma posse e um instrumento para agir separadamente e sob as ordens de seu senhor.

A Servidão Natural

Mas faz a natureza ou não de um homem um escravo? É justa e útil a escravidão ou é contra a natureza? É isto que devemos examinar agora. O fato e a experiência, tanto quanto a razão, nos conduzirão aqui ao conhecimento.

Não é apenas necessário, mas também vantajoso que haja mando por um lado e obediência por outro; e todos os seres, desde o primeiro instante do nascimento, são, por assim dizer, marcados pela natureza, uns para comandar, outros para obedecer.

Entre eles, há várias espécies de superiores ou de súditos, e o mando é tanto mais nobre quanto mais elevado é o próprio súdito. Assim, mais vale comandar homens do que animais. O que se realiza mediante melhores agentes é sempre mais bem realizado.

É preciso, portanto, como dissemos, considerar nos seres animados a autoridade do senhor e a do magistrado,  a do senhor a alma exerce autoridade sobre o corpo; a segunda é a razão que exerce poder sobre as paixões humanas. É claro que o comando, nestas duas espécies, é conforme à natureza, assim como ao interesse de todas as partes, e a igualdade ou a alternância seriam muito nocivas a ambas. (...)

Todos os que não têm nada melhor para nos oferecer do que o uso de seus corpos e de seus membros são condenados pela natureza à escravidão. Para eles, é melhor servirem do que serem entregues a si mesmos.

Numa palavra, é naturalmente escravo aquele que tem tão pouca alma e poucos meios que resolve depender de outra pessoa. Tais são os que só têm instinto, vale dizer, que percebem muito bem a razão nos outros, mas que não fazem por si mesmos uso dela. Toda a diferença entre os escravos e os animais é que os animais não participam de modo algum da razão, nem mesmo têm o sentimento dela e só obedecem a suas sensações. Ademais, o uso dos escravos e dos animais é mais ou menos o mesmo e tiram-se deles os mesmos serviços para as necessidades da vida.

A natureza, por assim dizer, imprimiu a liberdade e a servidão até nos hábitos corporais. Vemos corpos robustos talhados especialmente para carregar fardos e outros usos igualmente necessários; outros, pelo contrário, mais disciplinados, mas também menos robustos e incapazes de tais trabalhos, são bons apenas para a vida política, isto é, para os exercícios da paz e da guerra.

Limitando-nos aos aspectos materiais não hesitamos em acreditar que os indivíduos inferiores devem ser submissos. Se isto é verdade quando se trata do corpo, por mais forte razão devemos dizê-lo da alma.

Não pretendemos agora estabelecer nada além de que, pelas leis da natureza, há homens feitos para a liberdade e outros para a servidão, os quais, tanto por justiça quanto por interesse, convém que sirvam. No entanto, é fácil ver que a opinião contrária não seria inteiramente desprovida de razão. (...)

O que convém ao todo convém também à parte; o que convém à alma convém igualmente ao corpo. Ora, o escravo faz, por assim dizer, parte de seu senhor: embora separado na existência, é como um membro anexado a seu corpo. Ambos têm o mesmo interesse e nada impede que estejam ligados pelo sentimento da amizade, quando foi a conveniência natural que os reuniu. As coisas são diferentes quando eles só estão reunidos pelo rigor da lei ou pela violência dos homens. (Aristóteles, POLÍTICA,  p. 8-12 [trecho adaptado]).

Atividade individual (10 pontos)

1_ Qual a diferença, para Aristóteles, entre "instrumento inanimado" e "animado"?

2_Como Aristóteles define o "escravo por natureza"? Quais características ele atribui a esses indivíduos?

3_Quais são os argumentos que Aristóteles usa para justificar a escravidão como "justa e útil"?

4_"Você concorda com a ideia de que algumas pessoas nascem para obedecer e outras para mandar? Por quê?"


5_"É possível que alguém seja 'naturalmente' um instrumento para o outro?"


6_"Como a visão de Aristóteles sobre o trabalho difere da nossa visão hoje? Onde residem as maiores diferenças?"




domingo, 5 de outubro de 2025

Pensando o trabalho (Primeiro Ano do Ensino Médio)

O PADEIRO

Rubem Braga

Levanto cedo, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão pressionar o governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quanto vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: quando teve a ideia de gritar aquilo?

- “Então você não é ninguém?”

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendeu aquilo de ouvido. Muitas vezes aconteceu de bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma doméstica ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendeu dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficou sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. 

Era pela madrugada que deixava a redação de jornal – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como o pão saindo do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque o jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas escritos por mim sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”

E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, 1969).

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Em grupo de 4 ou 5 pessoas responda (valor 2 pontos)

  1. Qual é o problema que o narrador enfrenta logo no início da crônica acima? Como isso se relaciona com o trabalho do padeiro?
  2. Como o padeiro se descreve? O que a frase "não é ninguém, é o padeiro!" revela sobre a percepção social e a autopercepção do trabalhador?
  3.  A crônica menciona uma "greve do pão dormido". Que tipo de greve é essa? Qual o objetivo dela?

  4. Que tipo de greve é mencionada na música abaixo? Qual é o impacto dela na cidade e na vida das pessoas? Existe relação entre as duas  greves?
  5. Na sua percepção, em nossa sociedade, quais trabalhos são mais valorizados e quais são menos valorizados? Por que isso ocorre?
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“Fermento pra Massa”, Criolo


Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar
Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar
Tem fiscal que é partideiro
Motorista, bicheiro e DJ cobrador
Tem quem desvie dinheiro e atrapalha o padeiro
Olha aí, seu doutor!
Eu que odeio tumulto
Não acho um insulto manifestação
Pra chegar um pão quentinho
Com todo respeito a cada cidadão
Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar
Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar
Tem fiscal que é partideiro
Motorista, bicheiro e DJ cobrador
Tem quem desvie dinheiro e atrapalha o padeiro
Olha aí, seu doutor!
Eu que odeio tumulto
Não acho um insulto manifestação
Pra chegar um pão quentinho
Com todo respeito a cada cidadão
Então, parei (parei)
E até pensei (pensei)
Tem quem goste
Assim do jeito que tá
Farinha e cachaça é fermento pra massa
Quem não tá no bolo disfarça a desgraça
Sonho é um doce difícil de conquistar
Seu padeiro quer uma casa pra morar
Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar
Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão, tô de papo pro ar

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Waking Life (2001)

Waking Life (2001) dirigido por Richard Linklater é um filme feito em estilo rotoscopia, que mistura realidade e animação. A obra se estrutura como uma série de conversas e reflexões — muitas delas filosóficas.

Objetivo da exibição do filme: identificar ideias filosóficas

Duração: 2 sessões de 40 minutos:

Roteiro de anotações

- Cena marcante

- Frase marcante

- Filósofo relacionado

- Por quê?


Perguntas para discussão:

  1. Qual cena ou fala mais te chamou a atenção? Por quê?

  2. Você reconheceu ideias de algum filósofo que já estudamos? Dê exemplos.

  3. O que o filme nos faz pensar sobre a diferença entre sonho e realidade?

  4. Você acha que temos livre-arbítrio? Ou estamos “sonhando” condicionados por forças que não controlamos?

  5. Há alguma conexão entre o filme e o Mito da Caverna de Platão?

  6. Alguma fala te lembrou Sartre, Descartes ou Nietzsche?

  7. O filme parece ter uma conclusão? Ou deixa tudo em aberto? Isso é bom ou ruim?


Possíveis conexões filosóficas:

  • Platão – O filme todo pode ser visto como uma jornada de libertação de ilusões (Mito da Caverna).

  • Descartes – Dúvida radical, “estou sonhando ou estou acordado?”, penso, logo existo.

  • Sartre – Liberdade, responsabilidade, existência precede essência.

  • Nietzsche – Crítica à moral tradicional, afirmação da vida, eterno retorno.

  • Heráclito – Fluxo constante da realidade

segunda-feira, 26 de maio de 2025

O que é o belo? O que é feio?

Uma das buscas da filosofia de Platão é identificar um critério universal e objetivo para as coisas. Por exemplo, quando a questão é o belo não basta apontar exemplos de beleza na realidade. Platão busca a "Ideia", o conceito, de beleza em si. A questão portanto, não é identificar coisas belas, mas alcançar a ideia verdadeira do belo e apresentar um conceito universalmente válido de beleza.

(UFPR – 2020) No diálogo Hípias Maior, de Platão, Sócrates declara: “Recentemente, alguém me pôs em grande apuro, numa discussão em que eu rejeitava determinadas coisas como feias e elogiava outras por serem belas, havendo me perguntado em tom sarcástico, o interlocutor: "qual é o critério, Sócrates, para reconheceres o que é belo e o que é feio? Vejamos, poderás dizer-me o que seja o belo?”. ​

Considerando a passagem acima e a obra de que foi extraída, é correto afirmar que, de acordo com Sócrates: ​

a) só é possível dizer o que é o belo depois de se ter identificado determinadas coisas como belas. ​
b) a dificuldade se coloca para os juízos sobre a beleza, mas não para os juízos de verdade, tais como “isto é uma mesa”. ​
c) para identificar algo como belo, é preciso antes conhecer o que é o belo. ​
d) o critério para distinguir entre o belo e o feio varia segundo as pessoas. ​
e) não há distinção entre o belo e as coisas belas

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Questões de filosofia 3

1 Dentre os adversários de Sócrates na Grécia Antiga encontramos os:

A (   ) Os existencialistas que defendiam um investigação filosófica que explorasse o problema da existência humana e a experiência vivida do indivíduo que pensa, sente e age.
B (   ) Os sofistas que eram conhecidos pela habilidade de usar o discurso de forma persuasiva, valorizando a forma e a retórica ("eloquência"). O conteúdo verdadeiro, a verdade, portanto, ficava em segundo plano, importando mais o convencimento do ouvinte.
C (   ) Os racionalistas que defendiam que as ideias surgem da pura e simples capacidade racional e impulsionam o intelecto, formando os conhecimentos com base nas leis universais da razão.
D (   ) Os filósofos analíticos que se preocupavam com a clareza conceitual e a precisão dos argumentos.

***

2 (ENEM - 2022) Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.
 
ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
 
No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de


A entendimento da cultura.
B aumento da criatividade.
C percepção da individualidade.
D melhoria da técnica.
E construção da sociabilidade.

***

3 (ENEM - 2022) Entretanto, nosso amigo Basso tem o ânimo alegre. Isso resulta da filosofia: estar alegre diante da morte, forte e contente qualquer que seja o estado do corpo, sem desfalecer, ainda que desfaleça.


Sêneca, L. Cartas morais. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1990.


O excerto refere-se a uma carta de Sêneca na qual se apresenta como um bem fundamental da filosofia promover a


A valorização de disputas dialógicas

B rejeição das convenções sociais

C inspiração de natureza religiosa

D exaltação do sofrimento

E moderação das paixões


***

4 (ENEM 2021). Sócrates: “Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que tipo de coisa ela é? Ou te parece ser possível alguém que não conhece absolutamente quem é Mênon, esse alguém saber se ele é belo, se é rico e ainda se é nobre? Parece-te ser isso possível? Assim, Mênon, que coisa afirmas ser a virtude?”.


PLATÃO. Mênon. Rio de Janeiro: PUC-RIO; São Paulo: Loyola, 2001 (adaptado).


A atitude apresentada na interlocução do filósofo com Mênon é um exemplo da utilização do(a)


A escrita epistolar, troca de correspondência

B método dialético

C linguagem trágica

D linguagem poética

E método empirista