terça-feira, 28 de outubro de 2025

Filosofia no Enem

Temas mais cobrados (2009–2024)

  1. Filosofia política — 20 questões (11%)

  2. Moral e ética — 15 questões (8%)

  3. Aristóteles — 10 questões (5%)

  4. Origens da modernidade — 8 questões (4%)

  5. Descartes — 8 questões (4%)

  6. Filosofia medieval — 8 questões (4%)

  7. Pré-socráticos (Naturalistas) — 8 questões (4%)

  8. Cultura e sociedade — 7 questões (3%)

  9. Epistemologia — 7 questões (3%)

  10. Filosofia antiga — 7 questões (3%)

  11. Filosofia contemporânea — 7 questões (3%)

  12. Kant — 7 questões (3%)

  13. Escola de Frankfurt — 6 questões (3%)

  14. Escolas helenísticas — 6 questões (3%)

  15. Platão — 6 questões (3%)


1. Filosofia Política (tema mais cobrado)


Platão

Conceito de cidade ideal


Aristóteles

"O homem é um animal político"

Aristóteles dividiu as formas de governo em seis tipos, classificados por quem governa (um, poucos ou muitos) e com que objetivo (bem comum ou interesse particular). 

As formas puras (que buscam o bem comum) são a monarquia (governo de um), a aristocracia (governo dos melhores, ou poucos) e a politeia ou república (governo de muitos). As formas corrompidas (que visam o interesse próprio) são a tirania (monarquia corrompida), a oligarquia (aristocracia corrompida) e a democracia (politeia corrompida, também chamada de demagogia). 

Formas puras (em busca do bem comum)

Monarquia: Governo de um único indivíduo (o melhor), que governa em benefício de todos.
Aristocracia: Governo dos "melhores", um grupo de poucos que governa para o bem de todos.

Politeia (República): Governo da maioria, que governa de acordo com a lei para o bem comum. Aristóteles a considerava a forma mais adequada na prática, pois permitia a alternância de poder entre os cidadãos e o governo seria mais estável e justo, com base nas leis. 

Formas corrompidas (em busca do interesse particular)

Tirania: Forma degenerada da monarquia, onde um único indivíduo governa para benefício próprio.

Oligarquia: Forma corrompida da aristocracia, onde o poder é exercido por poucos, geralmente os ricos, em seu próprio interesse.

Democracia (demagogia): Forma corrompida da politeia, onde o governo dos muitos (pobres) é usado em benefício próprio, ignorando os interesses do bem comum. Aristóteles via a demagogia como uma degeneração da democracia, onde os políticos prometem o que o povo quer, em vez do que ele precis




- O Príncipe → realismo político: o poder como ele é, não como deveria ser.

- É melhor ser temido do que amado.

- “Os fins justificam os meios.”

Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau

FilósofoNatureza humanaObjetivo do contrato  Tipo de Estado
HobbesEgoísta, medo, guerra de
todos contra todos
Segurança e paz   Absolutista
Lockelivre, mas insegura  devido
às paixões e interesses
Proteger direitos naturais
(vida, liberdade, propriedade)
   Liberal
RousseauBom, mas corrompido
pela sociedade
Garantir liberdade e
igualdade pela vontade geral
   Democrático


Montesquieu

   _ Separação dos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário

   _ Base da democracia moderna.


Adam Smith: questão com Paul Collier citando Adam Smith para discutir a motivação das condutas no capitalismo.


Hobbes

Poder soberano - Leviathan


Foucault

Poder Disciplinar
Biopolítica


2. Moral e Ética

  • Ética: reflexão racional sobre o agir humano.

  • Moral: conjunto de costumes e normas de uma sociedade.

Modelos éticos

    

Aristóteles: ética da virtude e da felicidade (eudaimonia)o meio-termo.

    
Epicuro:
prazer moderado e sábio.

    
Estoicos:
tranquilidade da alma, aceitação do destino.


Kant:
imperativo categórico → aja apenas segundo regras que possam valer universalmente; nunca trate o outro como meio.

Utilitarismo (Bentham, Mill):
melhor ação é a que gera o máximo de felicidade para o maior número de pessoas.

Bentham: punição e felicidade (questão 2025)


Ética aplicada a questões atuais: pensar como valores e princípios éticos orientam ações em temas contemporâneos.

  • Exemplos: ética ambiental (sustentabilidade), bioética (ética em pesquisas e saúde), tecnologia e redes sociais (privacidade, inteligência artificial e impacto social).


3. Pré-socráticos (Naturalistas ou Filósofos da Physis)

  • Substituem o mito pelo lógos (razão).

  • Procuram o arché, princípio de tudo.

  • Exemplos:

    • Tales: água

    • Heráclito: fogo, tudo flui

    • Parmênides: o ser é imutável

    • Demócrito: átomos

    • Pitágoras: número, harmonia e cosmos

    • Heráclito e Parmênides: contraste entre fluxo (panta rhei) e imutabilidade do ser.


4. Filosofia Antiga – Período Clássico


Sofistas x Sócrates
  • Sofistas: relativismo, retórica, cobram pelo ensino.

  • Sócrates: busca da verdade pelo diálogo; método maiêutico.

  • ironia (só sei que nada sei), dialética na forma de perguntas curtas, parto das ideias

Platão

  • Teoria das Ideias: mundo sensível (aparência) x mundo inteligível (verdade).

  • Mito da Caverna → libertação pela razão.

  • "A República"

Aristóteles

  • Ética da virtude → felicidade como prática do bem.

  • Política → o homem é um “animal político”.


Filosofias helenísticas

Começa com a morte de Alexandre, o Grande (323 a.C.) e se estende até cerca do século até o ano 30 a.C. (conquista romana do Egito). ) centro cultural da filosofia se desloca de Atenas para cidades como Alexandria, Rodes e Pérgamo. O foco da filosofia muda: em vez de discutir o ser e o conhecimento como na era clássica (Sócrates, Platão, Aristóteles), os filósofos helenísticos buscam a sabedoria prática e a felicidade individual em um mundo político instável.


Epicurismo: busca da felicidade por meio do prazer moderado, da amizade e da ausência de perturbações (ataraxia) 

Estoicismo:  : defende a vida guiada pela razão, aceitando o destino com serenidade para alcançar a tranquilidade da alma.

Ceticismo: a verdade absoluta é inacessível; o sábio deve suspender o juízo (epoché) para alcançar a tranquilidade da alma (ataraxia).
  • Principais nomes: Pirro de Élis e Sexto Empírico.

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5. Filosofia Medieval

    • União entre fé e razão.

    • Santo Agostinho (Patrística): o mal não existe, mas é ausência de bem; 
      → O mal não é uma força positiva, mas a privação do bem causada pelo mau uso do livre arbítrio.

    • São Tomás de Aquino (Escolástica): fé e razão não se opõem; usa Aristóteles para provar racionalmente a existência de Deus.

    • Ockham: querela dos universais


6. Origens da Modernidade (Final do século XV, por volta de 1450–1500, e se consolida nos séculos XVI e XVII)

  • Renascimento → Antropocentrismo (homem no centro).

  • Humanismo renascentista: valorização do ser humano, da razão e da criatividade, rompendo com a visão puramente religiosa da Idade Média e inspirando artes, ciência e pensamento crítico.

  • Revolução científica (Copérnico, Galileu, Newton).

  • Quebra da visão teocêntrica.

Racionalismo x Empirismo

  • Racionalismo (Descartes): razão como fonte segura do conhecimento.

  • Empirismo: conhecimento vem da experiência sensível.

    • Locke: ideias vêm da experiência; mente = tábula rasa.

    • Hume: experiência gera hábito; causa e efeito são inferências do hábito.

    • Bacon: defende o método experimental para investigar a natureza. (método científico)


7. Descartes (1596 - 1650)

  • Parte da dúvida (dúvida metódica)

  • Cogito: “Penso, logo SOU" (primeira certeza, verdade)

  • Método cartesiano:

    1. Evidência: aceitar apenas ideias claras e distintas

    2. Análise: dividir problemas complexos em partes menores

    3. Síntese: ordenar o pensamento do simples ao complexo

    4. Enumeração (revisão): revisar sistematicamente todas as etapas para garantir que nada foi omitido;

  • Dualismo: corpo (matéria) x alma (pensamento).

  • Res Extensa x Res Cogito


8. Epistemologia (Teoria do Conhecimento)

  • Racionalismo: a razão produz o conhecimento seguro.

  • Empirismo: o conhecimento é obtido pela experiência sensível.

  • Hume: o conhecimento é hábito da experiência repetida.

  • Kant: síntese entre razão e experiência.

    • Conhecemos apenas os fenômenos, não a “coisa em si”.


9. Filosofia Contemporânea

  • Nietzsche: crítica à moral tradicional, conceito de “vontade de poder” e super-homem

  • Marx: alienação é a perda de controle do trabalhador sobre seu trabalho; ideologia serve para justificar e naturalizar a dominação na sociedade.
  • Heidegger (pontual em atualidades/existencialismo tecnológico): crítica à técnica moderna.

  • Escola de Frankfurt: crítica à indústria cultural → cultura transformada em mercadoria. Denuncia a alienação e padronização que enfraquecem a consciência crítica. (Adorno, Horkheimer, Marcuse)

  • Herbert Marcuse: Sociedade industrial.

  • Hannah Arendt: banalidade do mal → o mal nasce da falta de pensamento crítico.

  • Sartre (Existencialismo): “O homem está condenado à liberdade”; a existência vem antes da essência.

  • Rawls: justiça como equidade — princípios escolhidos por indivíduos livres e racionais sob um “véu da ignorância”, garantindo igualdade de direitos e oportunidades.

  • Chantal Mouffe: defende a democracia agonística, onde o conflito é natural e produtivo, garantindo pluralidade e participação política.

  • Foucault: o poder está presente em todas as relações sociais; ele produz saberes e controla os corpos por meio de instituições como escola, prisão e hospital.

  • Deleuze: pensamento como rizoma (sem centro, múltiplo).

  • Derrida: direito e justiça

  • Filosofia indígena: propõe a reconexão com a natureza e a ideia de que a humanidade é parte, não centro, da vida no planeta (Ailton Krenak, Davi Kopenawa).

  • Filosofia africana: valoriza a comunidade, a ancestralidade e o princípio do Ubuntu — “eu sou porque nós somos”.

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Estética

David Hume: eloquência

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TEMAS

Justiça e igualdade social: garantia de direitos iguais e oportunidades justas para todos, combatendo desigualdades e promovendo inclusão.

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* EXTRA

O CONTRATUALISMO de Hobbes, Locke e Rousseau busca explicar a origem do Estado por meio de um acordo (contrato social) entre os indivíduos para sair do "estado de natureza".  As principais diferenças estão nas visões sobre a natureza humana e o objetivo do contrato: 

Para Hobbes, a natureza humana é egoísta e o contrato visa garantir segurança e evitar a "guerra de todos contra todos" através de um poder absoluto; 

Para Locke, o contrato visa proteger os direitos naturais, especialmente a propriedade privada, que já existe no estado de natureza e é mais seguro que a posse, embora inseguro sem leis;     

Para Rousseau, a natureza humana é boa, mas a sociedade e a propriedade privada a corromperam, sendo o contrato necessário para garantir a liberdade e a igualdade através da "vontade geral". 

Thomas Hobbes

Estado de natureza: Uma guerra constante de todos contra todos, onde os homens são egoístas e movidos pelo medo. A famosa frase "o homem é o lobo do homem" resume essa visão. 

Contrato social: Os indivíduos renunciam à sua liberdade para um soberano absoluto (Estado) em troca de segurança e paz, para acabar com a violência. 

Objetivo: Garantir a vida e a segurança, acabando com o medo e a violência. 

John Locke

Estado de natureza: Os indivíduos são livres, mas a insegurança existe devido às paixões e interesses. A lei natural governa, e os direitos naturais existem, sendo a propriedade um dos mais importantes. 

Contrato social: Os indivíduos entram em acordo para criar um Estado que preserve seus direitos naturais e proteja a propriedade privada. 

Objetivo: Preservar os direitos naturais e a propriedade privada que já existem no estado de natureza. 

Jean-Jacques Rousseau

Estado de natureza: O homem é bom, solitário e vive em harmonia com a natureza, sem maldade nem propriedade privada. 

Contrato social: A propriedade privada surge, gera desigualdade e corrompe a bondade natural do homem. O contrato social deveria ter sido um acordo para garantir a liberdade e igualdade, mas na prática, apenas sancionou a desigualdade. 

Objetivo: Restabelecer a liberdade e a igualdade através de um novo contrato baseado na "vontade geral" de todos os cidadãos. 


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