quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Intuição estética do Absoluto

Como estudamos, para Schelling, a arte permite uma intuição direta do absoluto — ou seja, da realidade última, da unidade profunda entre espírito e natureza.

Na filosofia de Schelling, o absoluto é uma espécie de totalidade unificada onde tudo se reconcilia, e a razão sozinha não consegue apreendê-lo plenamente. A arte revela esse absoluto de forma imediata e intuitiva, sem precisar passar pelas mediações racionais ou conceituais.

Então, a arte é um meio privilegiado para experimentar o que Schelling chama de “identidade fundamental” entre o espiritual e o natural, porque ela expressa essa união de forma simbólica, concreta e viva.

Schelling não lista obras específicas como exemplos em suas reflexões filosóficas, mas, no contexto do romantismo alemão — do qual ele foi uma figura central — podemos inferir que ele valorizava obras de arte que expressassem a união profunda entre natureza, espírito e o absoluto.


    A Sinfonia nº 5 em dó menor , Op. 67, também conhecida como Sinfonia do Destino (em alemão: Schicksalssinfonie ), é uma sinfonia composta por Ludwig van Beethoven entre 1804 e 1808.


Caminhante sobre o mar de névoa ("Der Wanderer über dem Nebelmeer, também conhecido como Viajante Sobre o Mar de Névoa) é uma pintura a óleo de 1818 do artista alemão Caspar David Friedrich.

"A arte é a atividade em que o absoluto se revela diretamente a si mesmo. Na arte, o sujeito e o objeto, a liberdade e a necessidade, espírito e natureza, que em outros campos da filosofia aparecem separados, unem-se em uma identidade viva. Através da obra de arte, o infinito se torna finito e sensível, e assim o absoluto se torna intuitivamente acessível para nós”.

Metade da vida

Pêras amarelas
E rosas silvestres
Da paisagem sobre a
Lagoa.

Ó cisnes graciosos,
Bêbados de beijos,
Enfiando a cabeça
Na água santa e sóbria!

Ai de mim, aonde, se
É inverno agora, achar as
Flores? e aonde
O calor do sol
E a sombra da terra?
Os muros avultam
Mudos e frios; à fria nortada
Rangem os cata-ventos.

Friedrich Hölderlin
In Manuel Bandeira
Poemas Traduzidos
Edições de Ouro, Rio de Janeiro, s/data

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