Antônio Bispo dos Santos, o mestre quilombola mais conhecido como Nego Bispo. Embora ele mesmo não se identificasse como filósofo, seu pensamento ecoa com potência filosófica, nascida não da academia, mas do chão da luta, da oralidade ancestral e da vivência coletiva dos quilombos. Poeta, ativista político e guardião da memória ancestral, Nego Bispo foi um crítico contundente do colonialismo e da forma como este continua operando sob o manto do capitalismo moderno.
1) O que significa “ser da Terra” ou “pertencer à Terra”, como Nego Bispo menciona?
2) Qual crítica ele faz ao modo de vida colonialista ou capitalista, no que se refere à natureza e aos saberes?
3) As ideias de Nego Bispo podem ajudar a pensar a crise climática — que ações, mentalidades ou mudanças de vida podem vir daí?
O algodão colhido pelos ancestrais
Isso é Deus escrevendo em Suas linhas tortas
É o que explica o arco-íris após os temporais
O que antes era ódio virou consciência
Meu rivais têm sobrenome chei de consoante
E quem atira ainda mora em um simples kit net
Por isso eu quero é mais que um Grammy esquecido na estante
O melhor não é aquele que sempre acerta
Mas sim o que aproveita o erro do adversário
Se eles dormem, eu nem pisco e
Não é só porque o olho não fecha que sou visionário
O lobo se tornou cachorro pra não ser caçado
Por isso nóis queria sentar na mesa dos boy
Nessa aí que alguns irmão foram domesticado
Na coleira do vilão, gritando: Meu herói
Não confio nem no espelho, é que ele é ao contrário
A imagem que me dá não é o que eu represento
Eu não vou trocar o moleque que só pensa em dançar
Por um adulto covarde que só pensa em sustento
Mudar minha realidade era uma causa urgente
Mudei, então me chame de Santo Expedito
Já fiz pra alimentar nossas bocas
Hoje eu faço pra alimentar minha alma e meu espírito
É que eu ainda tenho fome, mano
Uh-uh
Juro que ainda tenho fome, mano
Uh-uh
É que eu ainda tenho fome, mano
Uh-uh
Juro que ainda tenho fome, mano
Uh (huh)
Depois que eu parei de perder
Competir não me interessa mais, sempre foi pelo desafio
Sou movido a dúvidas e não resposta
De quem tem muita certeza, mano, eu desconfio
Quero entender porque eu faço tudo pelas moeda
Ou porque a paty só me olha, e eu fico no cio
Ou porque me incomoda a Taylor que é tão coerente
Mas amo o Kanye que diz coisa que eu repudio
Era um busão lotado ou o bolso lotado
Nem que pra isso eu fosse pra uma cela lotada
Depois de meter fita em um busão lotado
E mês que vem eles que corram dobrado
Casa construída, peito dilacerado
Procurando Messias, nóis escolhemo errado
O auge do egoísmo é crucificar primeiro
E depois ter a cara de pau de pedir pra ser perdoado
Eu ainda tenho fome, mano
Uh-uh
Juro que ainda tenho fome, mano
Uh-uh
É que eu ainda tenho fome, mano
Uh-uh
Juro que ainda tenho fome, mano
Uh
Me atacam de todos os lado
Mas tipo Dembélé, sou ambidestro
E bato com as duas mão
Difícil não é ver o pobre gritando: Olha o lança
Mas sim ver o rico cego gritando: Visão
Roubaram nossas gíria, nossos platinado
Não entendem que isso é sobre identificação
Por isso trocamo de código toda semana
Vocês nunca me incluíram, não me acusem de exclusão
Erro muito gol porque arrisco muito
E já me acostumei com as vaia da torcida
Ainda na má fase, sou acima da média
Porque todo jogo é o jogo da minha vida
Nós somos a tragédia da televisão
Meus irmão vende droga pra que você brise
Quando tu souber o problema, eu já tenho a solução
O que passa no jornal aqui é tipo reprise
E mesmo contra a corrente
Continuo a nadar que nem Dory
Apanhamo tanto que nem dói
No futuro, comprar uns Nelore
Uma fazenda maior que Yellowstone
Vitória ou vingança, eu fiz meu nome
Assistindo WALL-E
Vi que não tô no mundo de Alice
Nosso tempo tá acabando aqui
Nosso tempo tá acabando aqui
Nosso tempo tá
Fonte: ("Fome." Publicado pelo canal Djonga no YouTube).
________________________________________________
Interpretando a canção
1) Qual trecho da música mais chamou sua atenção?
2) Identifique o “eu lírico” da canção.
3) Comente os seguintes trechos:
“O que antes era ódio virou consciência.”
“O lobo se tornou cachorro pra não ser caçado Por isso nóis
queria sentar na mesa dos boy. Nessa aí que alguns irmão foram domesticado. Na coleira do vilão, gritando: Meu herói.”
Não confio nem no espelho, é que ele é ao contrário. A imagem que me dá não é o que eu represento.
Eu não vou trocar o moleque que só pensa em dançar. Por um adulto covarde que só pensa em sustento.
Já fiz pra alimentar nossas bocas. Hoje eu faço pra alimentar minha alma e meu espírito.
Sou movido a dúvidas e não resposta. De quem tem muita certeza, mano, eu desconfio.
Procurando Messias, nóis escolhemo errado. O auge do egoísmo é crucificar primeiro. E depois ter a cara de pau de pedir pra ser perdoado.
Roubaram nossas gíria, nossos platinado. Não entendem que isso é sobre identificação. Por isso trocamo de código toda semana. Vocês nunca me incluíram, não me acusem de exclusão.
Erro muito gol porque arrisco muito. E já me acostumei com as vaia da torcida. Ainda na má fase, sou acima da média. Porque todo jogo é o jogo da minha vida.
Nós somos a tragédia da televisão. Quando tu souber o problema, eu já tenho a solução. O que passa no jornal aqui é tipo reprise.
____________________________________________
Nenhum comentário:
Postar um comentário