domingo, 19 de outubro de 2025

Pensando o contracolonialismo com Djonga e Nego Bispo!

Antônio Bispo dos Santos, o mestre quilombola mais conhecido como Nego Bispo. Embora ele mesmo não se identificasse como filósofo, seu pensamento ecoa com potência filosófica, nascida não da academia, mas do chão da luta, da oralidade ancestral e da vivência coletiva dos quilombos. Poeta, ativista político e guardião da memória ancestral, Nego Bispo foi um crítico contundente do colonialismo e da forma como este continua operando sob o manto do capitalismo moderno.

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Nêgo Bispo: vida, memória e aprendizado quilombola

  • 1) O que significa “ser da Terra” ou “pertencer à Terra”, como Nego Bispo menciona?

  • 2) Qual crítica ele faz ao modo de vida colonialista ou capitalista, no que se refere à natureza e aos saberes?

  • 3) As ideias de Nego Bispo podem ajudar a pensar a crise climática — que ações, mentalidades ou mudanças de vida podem vir daí?

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    A FOME - DJONGA


    Usando roupa cara pra fazer valer

    O algodão colhido pelos ancestrais

    Isso é Deus escrevendo em Suas linhas tortas

    É o que explica o arco-íris após os temporais

    O que antes era ódio virou consciência

    Meu rivais têm sobrenome chei de consoante

    E quem atira ainda mora em um simples kit net

    Por isso eu quero é mais que um Grammy esquecido na estante


    O melhor não é aquele que sempre acerta

    Mas sim o que aproveita o erro do adversário

    Se eles dormem, eu nem pisco e


    Não é só porque o olho não fecha que sou visionário

    O lobo se tornou cachorro pra não ser caçado

    Por isso nóis queria sentar na mesa dos boy

    Nessa aí que alguns irmão foram domesticado

    Na coleira do vilão, gritando: Meu herói

    Não confio nem no espelho, é que ele é ao contrário

    A imagem que me dá não é o que eu represento

    Eu não vou trocar o moleque que só pensa em dançar

    Por um adulto covarde que só pensa em sustento

    Mudar minha realidade era uma causa urgente

    Mudei, então me chame de Santo Expedito

    Já fiz pra alimentar nossas bocas


    Hoje eu faço pra alimentar minha alma e meu espírito


    É que eu ainda tenho fome, mano


    Uh-uh

    Juro que ainda tenho fome, mano

    Uh-uh

    É que eu ainda tenho fome, mano

    Uh-uh

    Juro que ainda tenho fome, mano

    Uh (huh)


    Depois que eu parei de perder

    Competir não me interessa mais, sempre foi pelo desafio

    Sou movido a dúvidas e não resposta

    De quem tem muita certeza, mano, eu desconfio


    Quero entender porque eu faço tudo pelas moeda

    Ou porque a paty só me olha, e eu fico no cio

    Ou porque me incomoda a Taylor que é tão coerente

    Mas amo o Kanye que diz coisa que eu repudio

    Era um busão lotado ou o bolso lotado

    Nem que pra isso eu fosse pra uma cela lotada

    Depois de meter fita em um busão lotado

    E mês que vem eles que corram dobrado

    Casa construída, peito dilacerado

    Procurando Messias, nóis escolhemo errado

    O auge do egoísmo é crucificar primeiro

    E depois ter a cara de pau de pedir pra ser perdoado


    Eu ainda tenho fome, mano

    Uh-uh

    Juro que ainda tenho fome, mano

    Uh-uh

    É que eu ainda tenho fome, mano

    Uh-uh

    Juro que ainda tenho fome, mano

    Uh


    Me atacam de todos os lado

    Mas tipo Dembélé, sou ambidestro

    E bato com as duas mão


    Difícil não é ver o pobre gritando: Olha o lança

    Mas sim ver o rico cego gritando: Visão

    Roubaram nossas gíria, nossos platinado

    Não entendem que isso é sobre identificação

    Por isso trocamo de código toda semana

    Vocês nunca me incluíram, não me acusem de exclusão


    Erro muito gol porque arrisco muito

    E já me acostumei com as vaia da torcida

    Ainda na má fase, sou acima da média

    Porque todo jogo é o jogo da minha vida

    Nós somos a tragédia da televisão

    Meus irmão vende droga pra que você brise

    Quando tu souber o problema, eu já tenho a solução

    O que passa no jornal aqui é tipo reprise

    E mesmo contra a corrente

    Continuo a nadar que nem Dory

    Apanhamo tanto que nem dói


    No futuro, comprar uns Nelore

    Uma fazenda maior que Yellowstone

    Vitória ou vingança, eu fiz meu nome


    Assistindo WALL-E

    Vi que não tô no mundo de Alice

    Nosso tempo tá acabando aqui

    Nosso tempo tá acabando aqui

    Nosso tempo tá


    Fonte: ("Fome." Publicado pelo canal Djonga no YouTube).

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    Interpretando a canção

    1) Qual trecho da música mais chamou sua atenção? 

    2) Identifique o “eu lírico” da canção.

    3) Comente os seguintes trechos:

     “O que antes era ódio virou consciência.”

     “O lobo se tornou cachorro pra não ser caçado Por isso nóis

    queria sentar na mesa dos boy. Nessa aí que alguns irmão foram domesticado. Na coleira do vilão, gritando: Meu herói.”

     Não confio nem no espelho, é que ele é ao contrário. A imagem que me dá não é o que eu represento.

     Eu não vou trocar o moleque que só pensa em dançar. Por um adulto covarde que só pensa em sustento.

     Já fiz pra alimentar nossas bocas. Hoje eu faço pra alimentar minha alma e meu espírito.

     Sou movido a dúvidas e não resposta. De quem tem muita certeza, mano, eu desconfio.

     Procurando Messias, nóis escolhemo errado. O auge do egoísmo é crucificar primeiro. E depois ter a cara de pau de pedir pra ser perdoado.

     Roubaram nossas gíria, nossos platinado. Não entendem que isso é sobre identificação. Por isso trocamo de código toda semana. Vocês nunca me incluíram, não me acusem de exclusão.

     Erro muito gol porque arrisco muito. E já me acostumei com as vaia da torcida. Ainda na má fase, sou acima da média. Porque todo jogo é o jogo da minha vida.

     Nós somos a tragédia da televisão. Quando tu souber o problema, eu já tenho a solução. O que passa no jornal aqui é tipo reprise.

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